quarta-feira, 14 de abril de 2010

Reconciliação

Ela sentia frio e havia pressa no seu olhar.

A menina corria descalça e seus pés profundos marcavam o asfalto. As sombras das árvores na beira da lagoa desmontavam o fim daquela tarde. Era claro, mas a noite desenhava o seu ritual de rotina. Ela percebeu que precisava correr, pobre coitada, anoitecer lhe causava calafrios. Pedras pontiagudas começaram a lhe incomodar, possivelmente precisaria parar. Mas o que aconteceu foi o já esperado. Lágrimas no rosto sentiu, era a lua cheia que se posicionou sobre seus olhos decepcionados. Pela noite então, resolveu correr, rápido, amedrontada. Foi então que sentiu uma mão conhecida a declarar: "te amo".

E se o sol iria voltar, agora já não importava mais.

Um comentário:

Gabi disse...

Palavras que se tornam imagens, imagens que se tornam sensações... Muito bonito, Méle. Conseguimos sentir os pés descalços no asfalto e a espera pelo sol.