terça-feira, 18 de outubro de 2011

A brisa

Eu quero um sopro de vento dentro de mim


Desses que deslizam fácil pela mente

Pelo corpo

Pelos dentes escancarados no sorriso

Andam rápido na alma viva

Alegre, em ritmo

Sem ritmo e pelo ritmo

Alimentando os olhos

Tirando dos pés o peso do dia

Voando alto, baixo e para os lados

Na direção do tempo


Eu quero um sopro de vento dentro de mim

Uma paixão assim.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Canção da gente

Seria fácil transformar em canção aquilo que vem à mente
Sopra leve dentro da gente, sem medida, sem conserto
Aquela dor, só e simplesmente
Travestida de sonhos e desenhada em poemas
Curtas declarações
Breves decepções
A vida
Na sua mais longa caminhada
E bela, como não poderia deixar de ser
Música de pé de ouvido
Melodia que cabe no peito
E dói, dói sem receio
Dor de abraço forte
Traz a cançao da mente, do sonho, da gente
Leve e sem tamanho
Só e simplesmente.

terça-feira, 1 de março de 2011

Pousar e partir

Pousou, como nunca antes. Fincou os pés machucados firmes naquele chão.
Mas chorou, não pôde conter.
O que era o céu caiu para a Terra, e de lá não sairia
Tão cedo, ou jamais.
E o que importa?
Pousou e pousou fundo.
Para assim ser, ficar.
Talvez, quem sabe um dia
Decolar e voar novamente. E ai então
Voltar a pousar outra vez.

Partiu. E para voar, precisaria sempre da Terra ser. O céu, assim como a Terra, seus.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Poema de um amor tardio

Agora já nem sei se sou amada ou amo eu

De amor triste escondido, creio que sei viver
Mas duras são as palavras dos desencontros solitários
Perdem-se os diálogos mudos, condensados, aflitos e agoniados
Fervem-se os olhares, desejando aqueles lábios
Meus, teus, juntos

Juras de amor perdem-se na antiga desilusão
De tanto sofrer, hoje me encontro perto cada vez mais de ti
Os olhares encantados teimam em se encontrar, e se perder, e se reencontrar
Acham-se
Pedem-se
Amam-se
No fim de tudo, você veio em mim, só em mim e para mim
E eu sou tua, toda. De carne e pulsação

Nos amamos, eu não só. Você e eu
Pele e coração.

domingo, 12 de setembro de 2010

Aos amigos dessa vida

Confesso que nunca pensei em escrever algo de mim aqui. Mas hoje, bateu essa vontade súbita. Queria falar com todos os meus bons amigos ao mesmo tempo, dizer como eu sou feliz por tê-los. Os que estão longe, os que estão perto, os que eu vejo com frequência, os que eu raramente vejo e os que já nasceram comigo.

São tantas as coisas na vida, que não digo se são grandes ou pequenas, apenas coisas. Umas aparecem e a gente chora, aprende, levanta a cabeça. Com outras a gente sorri, e isso basta. Vocês são uma dessas que aparecem sem muito aviso, assim, de repente. E é tão bom descobrir cada um, cada jeito, cada gosto, cada sonho.
São tantas as coincidências que acontecem, que vocês acabam por ser o acaso bom, o bem vindo.
Vocês me complicam e descomplicam de um jeito individual de cada um, mas todos se confundem com o que eu sou, e o que eu quero nessa vida. Uma eterna referencia ao carinho, ao querer bem sempre, ao querer que cada um seja do jeitinho que é e viva, vivam felizes.

Esse “melodramacarente” todo é porque a vontade súbita surgiu e sabe como é, né? Tinha que escrever pra abafar. Tinha que escrever pra sentir.

Aos poucos e bons amigos(e aos que estão por vir tb): Beijos, abraços e sorrisos pra vocês, sempre.
Méle

terça-feira, 29 de junho de 2010

A vida que se fica

Hoje, como não é muito de costume, parei para apreciar a vida.

Como as pessoas são raras em seus movimentos singelos e que as definem como um ser de personalidade única. Paradas são puro mistério, em movimento se transformam em seres pulsantes, cheias de energia sem um direcionamento certo.
Percebi, pela centésima vez, como o simples da grandiosidade da nossa existência é belo. Senti, como vez ou outra sinto, o quanto de vida há dentro de mim, nos outros, nos meus. E como eu queria que todos no mundo sentissem isso também.
Apreciei um simples fim de tarde no domingo. E ele dizia "até logo" aos seres que se aproveitavam de sua despedida, despretensiosamente, e nem imaginavam que eles também compunham aquele filme em câmera lenta que se passava pelos meus olhos revigorados. Eram crianças a brincar, cachorros em busca de carinho, homens e mulheres mantendo papos puros e demorados só pelo fato de estarem juntos. E o mar, assim como eu, a os observar. Esqueceram do tempo, da epoca, pouco importava o ano. Aquele momento era algo paralelo, pertencente somente a vida e a quem a vivia. E de maneira branda fui deixando aquele local, mas todos permaneceram ali, e em mim. Nem sempre me lembrarei disso, mas o visto permanecerá pronto para ser despertado.

E de apreciar a vida, aprenderei a viver.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Um fim partido

O sol brilhava pouco naquela quinta-feira nublada.

O menino sabia que poderia ser injusto, mas o turbilhão de sentimentos desencadeou a briga que o levaria a chorar por horas a fio. Os longos insultos trilhavam o ambiente. Eles, juntos por longos e bons momentos, agora se viam ali, parados, furiosos, a se olharem. O barulho intenso das gotas iniciais da chuva na janela era abafado pelas decepções em forma de vozes chorosas. Ele sentia um ardor dentro do peito, tentava parar o coração que batia constante, forte, rápido. Mas mesmo com tanto medo, resolveu parar e declarar um fim partido. A chuva cessou, e ele somente ficou a fitar o vulto tão conhecido de suas mãos deixando aquele lar. Só restaram os sapatos esquecidos que ele a havia dado de presente tempos atrás, mas o que significavam se estavam vazios? Ele sentou-se enfim, era meio pedaço de um ser que se punha a pensar.

E se o sol iria voltar, agora já não importava mais.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Reconciliação

Ela sentia frio e havia pressa no seu olhar.

A menina corria descalça e seus pés profundos marcavam o asfalto. As sombras das árvores na beira da lagoa desmontavam o fim daquela tarde. Era claro, mas a noite desenhava o seu ritual de rotina. Ela percebeu que precisava correr, pobre coitada, anoitecer lhe causava calafrios. Pedras pontiagudas começaram a lhe incomodar, possivelmente precisaria parar. Mas o que aconteceu foi o já esperado. Lágrimas no rosto sentiu, era a lua cheia que se posicionou sobre seus olhos decepcionados. Pela noite então, resolveu correr, rápido, amedrontada. Foi então que sentiu uma mão conhecida a declarar: "te amo".

E se o sol iria voltar, agora já não importava mais.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fevereiro

E olha meu bem, o carnaval só vem uma vez

A alma descansa, só pra ver ele chegar
E veja, não se aperreia se eu sumo de vez
É fevereiro, frevo, faceiro.
E a cada suspiro, acalma-te, não é por ti.
Se bonito foi amor, agora já acabou.
Não te culpas bem, é fevereiro.
As minhas roupas coloridas, perdidas se acharam
Vieram pra mim, sabem quem está por vir.
Se ainda pensas em me achar,
Vai pelas ruas, pelas máscaras, pelas minhas risadas
Estarei por ai
Longe do teu olhar
Perto de não mais voltar
Pode ser que me fique junto de ti
Mas lembra-te bem
É fevereiro

Amor, adeus, não esperas por mim
Chegou fevereiro, deixa ele entrar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Manuela na ponta dos pés

Há muito tempo ela não via o sol nascer. Até que resolveu partir.

Eram 4h da manhã, quando de sacola na mão e o peito batendo forte pôs os pés para fora. Fazia frio, e poucas eram as roupas que protegiam o tremer de seus dentes. Andava assustada, a passos curtos e olhar cansado. Queria caminhar alto, alcançar as estrelas e uma delas se tornar.
Diante era o horizonte, a caminhada e a esperança da chegada. Foram dias de peregrinação até perceber que não sabia aonde queria chegar. Custou a olhar para trás. Descalsa, as sandálias perdidas ficaram, sentou por uns instantes. A sua sombra fazia escurecer o velho telhado conhecido seu. Era casa. A sua. Tinha voltado, sem entender o porquê. Mas agora ali estava, e esperava o sol descer.

Manuela havia decidido fugir do seu cotidiano fatidico em busca de uma constelação distante, mas percebeu que correr na ponta dos pés aumentava a dor e a vontade de voltar. Por isso, resolveu lutar, de pés firmes no chão e no seu lugar.

O sol ia nascer, e agora ela resolveu ficar.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Termine essa história

Inicio por Raimundo Carrero, final por Méle Dornelas.
" Entraram no botequim para um café. Inimigos, não se falavam desde a infância. Sentavam-se ali todas as tardes e ficavam horas em silêncio. Um servia café ao outro, mesmo correndo perigo. Desconfiavam de uma dose fatal de veneno. Mas não compreendiam a vida sem esse risco...“
(Raimundo)
...Tudo girava em torno desse secreto mundo paralelo. Os olhares pesados não vinham sempre só deles. Seus diálogos mudos eram sempre barulhentos. Josué era assim. Inventou esse inimigo imaginário para acabar morto, envenenado por ele mesmo.
(Méle)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Lolitta a espreitar

Lolitta havia tempos que não se arrumava tão bem. Sempre com o melhor perfume, o melhor vestido e o melhor olhar. Sabia de que horas e aonde deveria estar. E lá estava ela, só a espreitar. Benjamim nem desconfiava, passava reto, faceiro, sempre a cantarolar. E ela ardia em paixão, se segurava toda, quase sempre deixava cair o coração. Benjamim tinha pressa, a pressa dos trabalhadores e batalhadores!
E foi assim, por um, dois, três, quatro anos. Lolitta sempre a espreitar, Benjamim sempre a passar.
Até o dia em que Benjamim resolveu se casar. Foi um rebuliço na pequena cidade de Lolitta. Reboliço maior foi o que teve em seu coração. Passou dois dias de cama. Nesse tempo ela nem ouviu Benjamim passar. Ah Lolitta, guardou esse amor e assim ficou.
Benjamim se mudou com a mulher e os filhos. O amor que sentia por eles era muito para aquele lugar.
Mas, da pequena cidade levou um olhar. O da pequena moça que ficava sempre a lhe espreitar.

domingo, 5 de abril de 2009

Menino, menino

Com 11 anos ele tinha toda a imaginação do mundo. Desenhava, escrevia e, principalmente, sonhava. Um dia era super-herói, no outro agente secreto. Anotava tudo em seu caderno para não esquecer do quanto ele podia voar. No seu mundo nada era igual, tudo se transformava. Tinha alguns amigos, não muitos, mas aqueles que viajavam junto com ele. Queria tudo e ao mesmo tempo nada, se nada significasse só aquela garota. Ele tinha medo, tinha coragem e segredos. Enfrentava os mais temíveis monstros, fantasiava duelos e tomava sorvete na esquina. Na cabeça milhões de idéias. Sonhava acordado, seguia dormindo. Era assim, com 11 anos, um garoto. Como todos os outros e como nenhum outro. Apenas um menino.